Paraolimpíada

Paulo Roberto Conde é o enviado do Grupo LANCE! a Pequim durante os Jogos Paraolímpicos. Fique por dentro de tudo que acontece por lá com uma visão bem curiosa.

proberto@lancenet.com.br

A decepção de Israel

postado por Paulo Roberto Conde

Entrei no ônibus que leva jornalistas da Vila Paraolímpica ao MPC. Em seguida, sobe na condução um cidadão carregando máquina fotográfica, tripé, bloquinho, com crachá de jornalista e fotógrafo. Esbaforido, pergunta a mim se o ônibus leva para o centro de imprensa. Respondo que sim e começamos a conversar.

Seu nome é Benni - provavelmente uma abreviação de Benjamin. É repórter de um site em Israel. Conta-me que há toda uma pressão na Paraolimpíada porque espera que o país conquiste as medalhas que não conquistou nos Jogos Olímpicos.

Nos Jogos, em agosto, Israel ganhou uma solitária medalha com Shahar Zubari, na prancha a vela masculina - a mesma do brasileiro Ricardo Winicki, o Bimba. Ficou na 81ª, empatado com outros tantos.

Ele me contou que a decepção no país foi enorme. Depois do primeiro ouro obtido em Atenas - com Gal Friedman, também na prancha a vela - esperava-se que o país deslanchasse. Não foi o que aconteceu.

Benni dizia acreditar que o desempenho paraolímpico suplantaria o dos olímpicos. Parece estar certo. Em três dias de Paraolimpíada disputada, o país já está melhor. Ganhou uma prata, com Inbal Pezaro, nos 100m livre (classe S5).

08/09/2008 21:49

 

O Rei do Pin

postado por Paulo Roberto Conde

Circulando na Vila Paraolímpica na manhã desta sexta-feira, deparei-me com um figura. O cara, chinês com jeito dos negociantes do mercado da seda, tinha em mãos um saco laranja, e interpelava uma pessoa atrás da outra.

Eu estava acompanhando a solenidade de hasteamento da bandeira do Brasil e nem dei muita trela. Mas, assim que me posicionei para fotografar e fazer vídeos da cerimônia, ouvi uma frase engraçada e emblemática do sujeito, em um inglês pra lá de precário: "Do have pin?"

Escutei-a ao menos outras cinco vezes na manhã. E olha que o cara faz sucesso. Ele trocou broches com o brasileiro Dirceu Pinto, da bocha. Com australianos. Com portugueses. Até um segurança chegou nele, na "miúda", e conseguiu o seu.

Pelo que descobri, ele é da organização. Seu papel é promover este troca-troca, interagir com gente etc. Eu acho a idéia legal. Só quero saber se vai sobrar algum na mão dele...

05/09/2008 02:04

 

Chinês britânico

postado por Paulo Roberto Conde

Já contei em diário de viagem no jornal que a comunicação aqui é bem complicada. Mas, para minha surpresa, nem tudo está perdido. Nesta quinta-feira fui ao balcão de ajuda do centro de mídia para pegar meu kit (ninguém é de ferro, depois conto o que vem nele).

Passo a passo, fui caminhando em direção ao atendimento. E me preparei para o pior. Aquela cara de zé-mané do voluntário não entendendo nada, chamando mais dez outros voluntários que não falam nada de inglês e ficam discutindo.

Pergunto se o dito cujo fala inglês. Ele me responde com um sonoro "yas", com "a" mesmo, do jeito britânico de se falar. E, conforme eu perguntava as coisas, ele ia desferindo seu rico vocabulário, com seu vasto conhecimento da língua de Shakespeare e sua pronúncia de dar inveja.

Me atendeu com brio, entregou meu kit, fez piada. Eu saí de lá feliz, mas quase nem consegui acompanhá-lo, de tão bem que ele mandava. Viu? É para eu parar de descer a lenha nos caras.

04/09/2008 13:15

 

Determinação 0

postado por Paulo Roberto Conde

Pensei que ia ser forte o bastante para resistir à tentação de ir ao McDonald’s durante a Paraolimpíada. A cadeia americana de fast food é patrocinadora oficial dos Jogos, e sabia que avistar o famoso “M” nas instalações em Pequim seria algo quase inevitável. Mas eu tinha colocado na cabeça que tentaria me segurar por uma semana. Durei um dia.

Depois de perder o sono às 3h da manhã e tomar o café-da-manhã, a fome bateu de vez. Talvez pelo fuso-horário. Talvez porque como muito, mesmo. Como estou baseado no Centro Principal de Imprensa (MPC, na sigla em inglês), fui curtir o que havia de bom para comer. Já conhecia o restaurante por conta do café-da-manhã, mas ele estava fechado. Eis que, de súbito, vejo aquela bendita letrinha com fundo amarelo.

Comi um cheeseburger duplo. É igual ao brasileiro. As fritas, idem. Agora, o que decepciona é a Coca. Não entendo como alguém pode torná-la ruim, mas, aqui na China, conseguiram. Deixa um gosto na boca, não me desceu bem. Menos mal que a Coca é apenas um dos refrigerantes à disposição aqui.

04/09/2008 13:14

 

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