 |
Período: 22 de novembro a 8 de dezembro
Países participantes: 67
Atletas: 3.184 (2.813 homens e 371 mulheres)
Brasil: 24º lugar
Esportes: 19
NÚMEROS BRASIL
Atletas: 48 (47 homens e 1 mulher)
Esportes: 12 (Atletismo, Basquete, Boxe, Ciclismo, Hipismo, Halterofilismo, Iatismo, Natação, Saltos ornamentais, Pentatlo moderno, Remo e Tiro)
Medalhas: uma de ouro (Adhemar Ferreira da Silva, no salto triplo do Atletismo)
Apesar da guerra fria e dos boicotes, os 'Jogos da Amizade'
A Guerra Fria estava no auge e os Estados Unidos viveram uma situação que não acontecia desde Londres-1908, quando os britânicos lideraram o quadro de medalhas: os americanos ficaram em segundo na colocação geral. O primeiro colocado foi, claro, a União Soviética, que conquistou cinco ouros a mais do que os rivais. No entanto, a disputa foi tão leal que o evento ficou conhecido como os "Jogos da Amizade".
Pela primeira vez a Olimpíada foi disputada no Hemisfério Sul, longe do eixo Europa-América do Norte. Buenos Aires foi candidata a sede olímpica, mas Melbourne a superou por um voto. A distância entre a Austrália e o Ocidente fez com que o número de atletas diminuísse. Como o governo australiano impôs uma quarentena de seis meses a todo cavalo procedente de outro país, as provas de hipismo acabaram sendo realizadas em Estocolmo.
Mais uma vez, a política interferiu na Olimpíada. Egito, Iraque e Líbano boicotaram os Jogos em protesto contra Israel, que levou apenas três atletas, já que o resto da equipe teve de reforçar o exército. Já no continente europeu, Holanda, Espanha e Suíça anunciaram que não disputariam o evento para protestar contra a invasão soviética à Hungria. A China foi outro país em boicotar os Jogos. O motivo era a presença da delegação de Taiwan, que os chineses consideravam uma província rebelde.
A tensão entre União Soviética e Hungria era tão grande, que numa partida de pólo aquático entre os dois países os atletas trocaram socos na piscina. A polícia teve trabalho para acalmar os quase quatro mil espectadores, que queriam agredir os soviéticos. No encerramento dos Jogos, 45 atletas da delegação húngara pediram asilo político.
Adhemar Ferreira da Silva novamente foi o destaque da delegação brasileira. Ele se tornou o nosso único bicampeão olímpico ao vencer a prova do salto triplo e bater o recorde olímpico, que havia sido estabelecido por ele mesmo em Helsinque-1952. Depois de ter trabalhado como ator, artista plástico, professor e diplomata, Adhemar morreu em janeiro de 2001, com 73 anos.
 |
Medalha dos Jogos
de Melbourne (1956) |
CURIOSIDADES
- Vladimir Kuts mostra a força do atletismo soviético ao conquistar o ouro nas provas de 5.000 e 10.000m, façanha conseguida antes apenas pelos fantásticos finlandeses da primeira metade do século e pela “Locomotiva Humana”, o tcheco Emil Zatopek.
- A rainha destes Jogos, para delírio dos anfitriões, foi a australiana Betty Cuthbert, de dezoito anos, apelidada “Golden Girl” e campeã olímpica nos 100, 200 e 4x100m no atletismo.
- Os alemães ocidentais e orientais participaram juntos num time misto, assim como o fariam nos próximos dois eventos.
- A nadadora Dawn Fraser brilhou nas piscinas liderando a equipe australiana na vitória do revezamento 4x100 e conquistando o ouro nos 100m nado livre.
- Em Melbourne, o Comitê Olímpico Internacional acolheu a sugestão de um jovem carpinteiro chinês vivendo no país, chamado John Wing, e estabeleceu que o desfile da festa de encerramento dali em diante deveria ser feito com todos os atletas misturados, simbolizando a união dos povos, ao invés da antiga parada feita ao fim da festa, igual à cerimônia de abertura.
 |
HERÓI DOS JOGOS - LARISSA LATYNINA
Larissa Latynina é uma ex-ginasta ucraniana. Participou de três Jogos Olímpicos (Melbourne-56, Roma-60 e Tóquio-64) representando a antiga União Soviética, e neles conquistou um total de 18 medalhas olímpicas, sendo 9 de ouro, que a transformaram na maior campeã olímpica de todos os tempos.
Após os Jogos de Tóquio, em 1964, onde ganhou suas duas últimas medalhas de ouro, além de mais duas de bronze, Larissa retirou-se das competições olímpicas. Após participar do Campeonato Mundial de Ginástica de 1966, tornou-se técnica da equipe nacional de ginástica da União Soviética até 1977, e organizou a competição de ginástica dos Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980.
Hoje Larissa é cidadã russa e vive na cidade de Semenovskoye, na região de Moscou.
|